sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Na Jornada Mundial dos Pobres, o papa Francisco pede obras concretas e não apenas palavras



A Igreja realiza de 12 a 19 de novembro, a Jornada Mundial dos Pobres, com o tema: “Não amemos com palavras, mas com obras”. Trata-se, segundo mensagem do papa Francisco, publicada dia 17 de junho deste ano, de um convite dirigido a todos, independente de sua crença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade.

Segundo o santo padre, o amor não admite álibes. “Quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres”, diz trecho do texto. Instituído pelo chefe da Igreja Católica na conclusão do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, o primeiro Dia Mundial dos Pobres será celebrado pela Igreja em todo mundo no próximo dia 19 de novembro, 33º domingo do Tempo Comum.

No Brasil, a animação e coordenação das atividades foi delegada à Cáritas Brasileira, um dos organismos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por sua experiência na realização Semana da Solidariedade. Para o bispo de Aracaju (SE), presidente da Cáritas Brasileira, dom João José Costa, as respostas sobre que fazer só virão se a Igreja e os cristãos se colocarem de forma próxima aos empobrecidos e sentir a sua dor. “A proximidade faz com que o Espírito Santo desperte em cada um de nós a criatividade para que possamos ter iniciativas concretas para transformar a realidade”, disse.

De acordo com estudo divulgado em fevereiro pelo Banco Mundial, o número de pessoas vivendo na pobreza no Brasil deverá aumentar entre 2,5 milhões e 3,6 milhões até o fim de 2017. Segundo o documento, a atual crise econômica representa uma séria ameaça aos avanços na redução da pobreza e da desigualdade. O Banco Mundial também atribuiu a ações sociais protetivas como o Bolsa Família, um papel fundamental para evitar que mais brasileiros entrem na linha da miséria. A pesquisa aponta ainda que o aumento da pobreza vai se dar principalmente em áreas urbanas, e menos em áreas rurais, isso porque nas áreas rurais essas taxas já são mais elevadas.

Objetivo e material da Jornada – O diretor-executivo da Cáritas Brasileira, Luiz Claudio Mandela, lembra que a Jornada Mundial dos Pobres, em comunhão com a Semana da Solidariedade, quer acima de tudo chamar atenção de forma organizada, reflexiva e também em oração para a grande condição de vulnerabilidade e desigualdade por que passa grande parte da população do mundo e do Brasil.

A Cáritas Brasileira preparou o cartaz e o subsídio com sugestões de ações para esta semana. A proposta, segundo o diretor-executivo da Cáritas, é que as comunidades, igrejas, escolas e toda sociedade realizem, por meio do que propõem a cartilha, as “Ruas Solidárias” e “Rodas de Conversa” cujo objetivo é proporcionar espaços, momentos e dinâmicas para que as pessoas, em suas mais várias localidades, possam refletir e olhar, em forma de oração, sobre esta realidade.

O presidente da Cáritas Brasileira convida cada um a dar a sua contribuição. “Se vamos mudar o mundo não sei, mas o importante é cada um fazer a sua parte”, disse. O bispo lembrou de madre Tereza de Calcutá que não desanimava quando se tratava de realizar obras em favor dos pobres. A religiosa, declarada santa pelo papa Francisco em 04/09/2016, dizia que somos uma gota d’água no oceano, mas que este seria menor sem aquela. “Que durante esta semana possamos fixar o nosso olhar nesta realidade que desafia todo nosso mundo para que se transforme na casa do Bem Viver, onde todas as pessoas sejam reconhecidas e acolhidas em sua dignidade”, concluiu dom João José.

Acompanhe e compartilhe as ações nas redes sociais da Cáritas Brasileira durante a Jornada Mundial dos Pobres – Semana da Solidariedade entre os dias 12 e 19 de Novembro.

Baixe a mensagem do papa Francisco aqui: https://w2.vatican.va

Baixe a Cartilha preparada pela Cáritas aqui:http://caritas.org.br

Baixe o cartaz da Jornada aqui:http://caritas.org.br

Fonte: http://cnbb.net.br/na-jornada-mundial-dos-pobres-o-papa-francisco-pede-obras-concretas-e-nao-apenas-palavras/

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Monitor da Violência: dois meses e meio depois, maioria dos casos de morte violenta está em aberto

Monitor da Violência: dois meses e meio depois, maioria dos casos de morte violenta está em aberto

Novo levantamento feito pelo G1 mostra que os inquéritos de 761 dos 1.195 casos continuam em andamento. Não há informação sobre o status de 181 crimes; falta de transparência tem dificultado o trabalho de apuração do projeto.


Maioria dos crimes registrados segue em investigação (Foto: Alexandre Mauro/G1)
Maioria dos crimes registrados segue em investigação (Foto: Alexandre Mauro/G1)
Maioria dos crimes registrados segue em investigação (Foto: Alexandre Mauro/G1)
Dois meses e meio depois, 64% do total de casos de morte violenta ocorridos entre 21 e 27 de agosto no Brasil continuam em aberto e só 11% registram alguma prisão. É o que mostra um novo levantamento feito pelo G1 tendo como base todas as mortes registradas durante uma semana no país. Se forem excluídos os casos em que a polícia não informa ou que não foi possível obter o status dos crimes, o índice de casos em andamento sobe para 75% (e o de prisões, para 15%).
O Monitor da Violência é resultado de uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP e com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Monitor da Violência: dois meses e meio depois, maioria dos casos está em aberto
Monitor da Violência: dois meses e meio depois, maioria dos casos está em aberto
Neste projeto, estão todos os casos de homicídio, latrocínio, feminicídio, morte por intervenção policial e suicídio ocorridos de 21 a 27 de agosto no Brasil. São 1.195 mortes registradas – uma média de uma a cada oito minutos.
Mais de 230 jornalistas espalhados pelo país apuraram e escreveram as histórias das vítimas. Agora, acompanham o andamento desses casos.
O novo levantamento revela que:
  • 761 casos estão em andamento (64% do total OU 75% dos inquéritos aos quais o G1 teve acesso - 1.014)
  • 216 casos estão concluídos
  • 27 inquéritos não foram nem sequer instaurados
  • em 514 casos, a autoria ainda é desconhecida
  • há 370 casos com o autor ou os autores identificados pela polícia (sendo 512 pessoas ao todo)
  • em 141 casos, foi efetuada a prisão de um ou mais suspeitos (12% do total OU 15% se forem excluídos os casos não informados e os suicídios)
O Código de Processo Penal determina que um inquérito policial seja concluído em 10 dias quando houver prisão em flagrante ou 30 dias em caso de inexistência de prisão cautelar. Os delegados, no entanto, podem pedir um prazo maior para elucidar o caso – o que normalmente acontece.
 (Foto: Roberta Jaworski/G1)
 (Foto: Roberta Jaworski/G1)
(Foto: Roberta Jaworski/G1)

Extremos

Os dados mostram a dificuldade nas investigações e a consequente lentidão dos processos e expõem o drama das famílias que aguardam um desfecho para os casos.
Mas se há, por um lado, ao menos 27 casos em que o inquérito nem sequer foi instaurado, por outro, há um caso emblemático, em que um dos crimes teve um desfecho relâmpago. Em Vilhena (RO), a morte do filho de um ex-prefeito da cidade fez a prefeitura decretar três dias de luto e gerou comoção nas redes sociais.
Dois meses depois, o suspeito, que foi preso, já foi julgado e condenado a 28 anos de prisão. Um adolescente também envolvido no crime foi apreendido e está em uma unidade socioeducativa.
Caso de assassinato de filho de ex-prefeito de Vilhena (RO) teve desfecho relâmpago (Foto: Reprodução/Facebook)
Caso de assassinato de filho de ex-prefeito de Vilhena (RO) teve desfecho relâmpago (Foto: Reprodução/Facebook)
Caso de assassinato de filho de ex-prefeito de Vilhena (RO) teve desfecho relâmpago (Foto: Reprodução/Facebook)
O levantamento revela que, mesmo quando os autores são identificados, poucos são os casos em que eles são encontrados e presos. Mais que isso: mostra que boa parte dos suspeitos já era conhecida das vítimas (em pelo menos um terço dos casos) – e que, portanto, não houve um trabalho de investigação para chegar a eles.
Em crimes de repercussão, como em alguns dos feminicídios registrados no período, os ex-companheiros foram presos. Isso ocorreu, por exemplo, em Tupã (SP), onde Débora Goulart, que já havia registrado um boletim de ocorrência contra o ex-marido, foi esfaqueada dentro de casa, e em Serra (ES), onde Gabriela Silva de Jesus foi estrangulada pelo ex-noivo.
Mulheres vítimas de feminicidio durante a semana (Foto: Arte/G1)
Mulheres vítimas de feminicidio durante a semana (Foto: Arte/G1)
Mulheres vítimas de feminicidio durante a semana (Foto: Arte/G1)
Já alguns estados tiveram índices ínfimos de prisão. Em Alagoas, por exemplo, onde ocorreram 39 mortes violentas, não houve nenhuma prisão. No Rio Grande do Norte, onde foram registrados 64 casos, 59 também não registraram prisões até o momento.

Dificuldades nas investigações

Vários delegados relatam dificuldades para investigar as mortes violentas no país. No Rio, o diretor da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barbosa, afirma que o volume de casos impossibilita um trabalho mais apurado. “Em um ano, na capital, há 1.300 homicídios para serem apurados por 200 policiais.”
Na região de Campinas, o Instituto de Criminalística (IC) também diz que há uma demora na produção de laudos necessários na investigação de mortes violentas pela Polícia Civil porque há uma “sobrecarga”. São 98 peritos para atender 92 municípios. De seis casos registrados, apenas um foi concluído. Três dos cinco inquéritos abertos aguardam o IC para dar sequência ao trabalho dos investigadores.
Um desses casos é o do motorista Tiago Marques Fagundes, de 36 anos, morto a tiros em uma estrada vicinal em Americana. A autoria do crime é desconhecida. E a família ainda aguarda por justiça.
O motorista Tiago Marques Fagundes, morto a tiros em uma estrada vicinal em Americana (Foto: Reprodução)
O motorista Tiago Marques Fagundes, morto a tiros em uma estrada vicinal em Americana (Foto: Reprodução)
O motorista Tiago Marques Fagundes, morto a tiros em uma estrada vicinal em Americana (Foto: Reprodução)
Em Viamão (RS), duas mortes registradas nos dias 22 e 23 de agosto ainda estão sem identificação. Um dos corpos, encontrado enterrado, terá de ser identificado pelas digitais ou arcadas dentárias.
Não se trata de um caso isolado. Do total de 1.195 vítimas, mais de 120 continuam sem nome – metade delas no Pará. Cerca de 170 continuam sem a idade informada. Outras 470 aparecem sem a cor/raça identificada.

Falta de transparência

G1 teve mais uma vez dificuldade para obter os dados pelo país. Várias secretarias se negaram a passar as informações e delegados alegaram sigilo em casos onde não há qualquer impedimento para divulgação.
No Espírito Santo, por exemplo, a polícia e o governo não responderam a nenhum questionamento da equipe de reportagem. O G1 teve de contar com a ajuda da Promotoria para conseguir checar todos os casos.
No Ceará, os delegados informaram ter recebido um ofício da Secretaria da Segurança ordenando que informações sobre inquéritos não fossem repassadas por telefone, dificultando o trabalho dos repórteres, especialmente na verificação do andamento de mortes no interior do estado.
No Pará, a Secretaria da Segurança pediu um prazo para poder responder às questões. No fim, enviou uma mensagem: "Informamos que, em decorrência do caráter de sigilo das investigações policiais, não será possível o fornecimento de informações a respeito do andamento da apuração dos crimes de homicídio". Em algumas delegacias, os responsáveis não atenderam nem sequer o telefone. Com isso, o G1 só conseguiu obter dados de 15 dos 102 crimes no Pará – o pior índice entre todos os estados.
Em vários locais, as polícias também se recusaram a informar os números dos inquéritos – um dos pedidos feitos para acompanhar os casos inclusive em outras esferas.
No Tocantins, um caso insólito: a delegacia de Crixás do Tocantins mudou de lugar e os responsáveis não sabem onde estão os arquivos do caso. A equipe do G1 tentou obter as informações por mais de uma semana, sem sucesso.
A falta de padronização também tem dificultado a contabilização dos casos. Em alguns estados, casos de suicídio, por exemplo, não têm nem inquérito instaurado; em alguns, eles são arquivados; em outros, os casos são dados como concluídos e relatados à Justiça.
A apuração nesses últimos meses revelou ainda que seis dos casos investigados acabaram reclassificados para mortes não violentas. Eles continuarão, porém, a constar do mapa, com a nova classificação. Além disso, alguns dos casos estavam duplicados e outros não haviam sido incluídos. No fim, o número de vítimas se manteve em 1.195.
Participam deste projeto:
Coordenação: Athos Sampaio e Thiago Reis
Edição: Amanda Polato, Carolina Dantas, Carlo Cauti, Clara Velasco, Cida Alves, Darlan Alvarenga, Elida Oliveira, Felipe Grandin, Flávio Ismerim, Gabriela Bazzo, Gabriela Caesar, Helton Simões Gomes, Juliana Cardilli, Karina Trevizan, Letícia Macedo, Luciana Oliveira, Luiza Tenente, Marília Neves, Marta Cavallini, Megui Donadoni, Monique Oliveira, Pâmela Kometani, Peter Fussy, Ricardo Gallo, Roney Domingos, Rosanne D'Agostino, Taís Laporta, Vanessa Fajardo e Vitor Sorano (Conteúdo), Rodrigo Cunha (Infografia) e Fabíola Glenia (Vídeo)
Design: Alexandre Mauro, Juliane Monteiro, Karina Almeida, Igor Estrella e Roberta Jaworski
Desenvolvimento: Rogério Banquieri
Vídeo: Alexandre Nascimento, Beatriz Souza, Eduardo Palácio e Mariana Mendicelli
Produção e reportagem:
Janine Brasil, Quésia Melo e Aline Nascimento (G1 AC)
Cau Rodrigues, Michelle Farias, Carolina Sanches, Roberta Cólen, Derek Gustavo, Waldson Costa, Natália Normande, Magda Ataíde, George Arroxelas e Suely Melo (G1 AL)
Adneison Severiano, Indiara Bessa, Ive Rylo, Patrick Marques, Andrezza Lifsitch, Camila Henriques e Leandro Tapajós (G1 AM)
Jorge Abreu, Jéssica Alves, Lorena Kubota e John Pacheco (G1 AP)
Henrique Mendes, Natally Acioli, Alan Tiago, Danutta Rodrigues e Lílian Marques (G1 BA)
André Teixeira, Gioras Xerez, Valdir Almeida, Verônica Prado, Marília Cordeiro e Ranniery Melo (G1 CE)
Marília Marques, Eduardo Miranda e Maria Helena Martinho (G1 DF)
Manoela Albuquerque e Viviane Machado (G1 ES)
Elisângela Nascimento, Fernanda Borges, Murillo Velasco, Paula Resende, Sílvio Túlio, Vanessa Martins e Vitor Santana (G1 GO)
João Ricardo e Márcia Carlile (G1 MA)
Alex Araújo, Cíntia Paes, Flávia Cristini, Humberto Trajano, Pedro Ângelo e Raquel Freitas (G1 MG)
Rafael Antunes, Daniela Ayres, Vanessa Pires, Bruno Sousa, Caroline Aleixo, Bárbara Almeida, Karla Pereira, Roberta Oliveira, Marielle Moura e Victória Jenz (G1 Triângulo Mineiro, Centro-Oeste de MG e Zona da Mata)
Adriana Lisboa, Marina Pereira, Ricardo Guimarães, Zana Ferreira, Patrícia Belo, Juliana Peixoto, Valdivan Veloso (G1 Grande Minas e Vales de Minas)
Lucas Soares, Régis Melo, Fernanda Rodrigues e Lara Silva (G1 Sul de MG)
Fernando da Mata, Juliene Katayama, Marcos Ribeiro, Nathália Rabelo e Nadyenka Castro (G1 MS)
Pollyana Araújo, Denise Soares, André Souza e Lislaine dos Anjos (G1 MT)
Andrea França, Taymã Rodrigo e Raiana Coelho (G1 PA e TV Liberal)
Taiguara Rangel, Aline Oliveira, André Resende, Diogo Almeida, João Brandão Neto, Krystine Carneiro, Gabriel Costa e Iago Bruno (G1 PB)
Marina Meireles, Ricardo Novelino, Bruno Marinho, Luiza Mendonça e Katherine Coutinho (G1 PE)
Joalline Nascimento, Lafaete Vaz, Lindayanne Florêncio, Lyllyan Belo, Mário Flávio, Mavian Barbosa e Rodrigo Miranda (G1 Caruaru)
Amanda Lima, Beatriz Braga, Emerson Rocha e Juliane Peixinho (G1 Petrolina)
Catarina Costa, Maria Romero, Gilcilene Araújo, Júnior Feitosa, Carlos Rocha e Ellyo Teixeira (G1 PI)
Adriana Justi, Thais Kaniak, Aline Pavaneli, Fabiula Wurneister, Letícia Paris, Erick Gimenes, Ederson Hising e Samuel Nunes (G1 PR)
Felipe Grandin, Henrique Coelho, José Raphael Berrêdo, Leslie Leitão, Nicolás Satriano e Patrícia Teixeira (G1 Rio e TV Globo)
Fernanda Soares, Franklin Vogas, Vanessa Ornelas, Juan Andrade, Amaro Mota, Filipe Carboni e Julian Viana (G1 Norte Fluminense, Lagos e Região Serrana)
Michele Martins, Rianne Netto, Isabel Sodré, Renan Tolentino, Vinicius Lima, Lara Gilly e Luís Filipe Pereira (G1 Sul do Rio e Costa Verde)
Fernanda Zauli, Anderson Barbosa, Igor Jácome, Rafael Barbosa e Ricardo Oliveira (G1 RN)
Jonatas Boni, Magda Oliveira, Rogério Aderbal, Eliete Marques, Jeferson Carlos, Diêgo Holanda, Hosana Morais e Jheniffer Núbia (G1 RO)
Emily Costa, Jackson Félix e Inaê Brandão (G1 RR)
Hygino Vasconcellos, Gabriela Haas, Otávio Daros, Jessica Perdonsini, Daniel Favero, Tatiana Lopes, Rafaella Fraga, Shállon Teobaldo, Janaina Lopes, Felipe Truda, Luã Hernandez e Alexandra Freitas (G1 RS)
Fernanda Burigo, Joana Caldas, Mariana de Ávila, Mariana Faraco e Valéria Martins (G1 SC)
Joelma Gonçalves (G1 SE)
Glauco Araújo, Luiz Ottoni, Kleber Tomaz, Will Soares, Cíntia Acayaba, Paulo Toledo Piza e Paulo Guilherme (G1 SP)
Mariana Bonora e Tiago Moraes (G1 Bauru)
Patrícia Teixeira, Marcello Carvalho, Fernando Evans, Fernando Pacífico, Murillo Gomes, Ana Letícia Lima, Bruno Oliveira e Letícia Baptista (G1 Campinas)
Paola Patriarca e Francine Galdino (G1 Itapetininga)
Fernanda Lourenço, Jamile Santana, Cristina Requena e Gladys Peixoto (G1 Mogi das Cruzes e Suzano)
Samantha Silva, Arthur Menicucci e Carol Giantomaso (G1 Piracicaba)
Adriano Oliveira e Rodolfo Tiengo (G1 Ribeirão Preto)
Renata Fernandes, Marcos Lavezo e Bruna Alves (G1 Rio Preto)
Fernando Bertolini, Stefhanie Piovezan, Fabio Rodrigues, Raquel Baes, Ana Marin e Kalinka Bacacicci (G1 São Carlos)
Mayara Corrêa, Ana Carolina Levorato, Fernanda Szabadi, Carlos Dias, Álisson Batista, Aline Albuquerque e Gabriel Morelli (G1 Sorocaba)
Gelson Netto, Stephanie Fonseca e Wellington Roberto (G1 Presidente Prudente)
João Paulo de Castro, Ivair Vieira Jr, José Cláudio Pimentel, Mariane Rossi e Alexandre Lopes (G1 Santos)
Guilherme Machado, Leonardo Medeiros, Carlos Santos e Simone Gonçalves (G1 Vale do Paraíba)
Patrício Reis, Jesana de Jesus, Edson Reis, João Guilherme Lobasz, Letícia Queiroz, Gilvana Giombelli, Matheus Mourão e Vilma Nascimento (G1 TO)

Fonte: www.g1.com.br (https://g1.globo.com/monitor-da-violencia/noticia/monitor-da-violencia-dois-meses-e-meio-depois-maioria-dos-casos-de-morte-violenta-esta-em-aberto.ghtml)

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Fraternidade e superação da violência



A Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) já definiu o tema da Campanha da Fraternidade 2018O tema será Fraternidade e superação da violência, tendo como lema Em Cristo somos todos irmãos (Mt 23,8).
Devido ao seu alto grau de complexidade, o tema violência foi discutido, refletido e aprofundado em um seminário que aconteceu no dia 09 de dezembro de 2016 na sede da CNBB em Brasília.

Estavam presentes no dia do seminário, assessores das Comissões Episcopais da Entidade e representantes de diversos segmentos da sociedade civil que trabalharam diretamente com a temática da violência. De acordo com o Bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, “Esse encontro deseja ser uma ajuda, mesmo porque a temática é exigente. Ela tem muitos aspectos, tem muitas nuances, tem abordagens que necessitamos fazer diante da amplitude do tema”.

tema da Campanha da Fraternidade 2018 também foi aprovado na reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da CNBB, que aconteceu em setembro de 2016. O Bispo Dom Leonardo ressaltou que a violência está presente em vários segmentos da sociedade. Seja na rua, dentro de casa, pela condição social, pelo gênero, nos meios de comunicação e até na intolerância das palavras. “Toda violência exclui, toda violência mata”.

O tema será Fraternidade e superação da violência, tendo como lema Em Cristo somos todos irmãos (Mt 23,8).

O sacerdote Antônio Xavier Batista, fez uma análise do que significa a violência e ainda refletiu a temática a partir do livro de Jonas. “Escolhi esse texto porque nele é possível encontrar vários elementos que ilustram os vários tipos de violência vividos pelo povo”, comentou o padre Antônio Xavier. Antônio também complementou sua fala dizendo que entende-se por violência qualquer ação contra a vida ou a sociedade que possa causá-las prejuízo ou destruí-las por completo. A Escritura conhece duas formas de violência: uma injusta (fruto da injustiça dos homens) e outra “justa” utilizada por uma causa justa ou por fim nobre como é o caso da legítima defesa.

Imagem: Portal Kairós

Fonte: http://www.campanhadafraternidade2017.com.br/campanha-da-fraternidade-2018-tema-e-lema/

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Inteligência artificial, algoritmos e decisões injustas: é hora de revermos criticamente nosso papel em face da tecnologia

Vivemos nossas vidas não apenas por decisões tomadas por nós, mas também por decisões de outras pessoas, como, por exemplo, em processos seletivos para empregos, admissões para cursos de graduação e pós-graduação, empréstimos bancários, etc. E, quando nos submetemos a estas decisões de terceiros, esperamos que sejam decisões equânimes, justas. Claro que muitas vezes tais decisões são parciais e isso não é propriamente uma novidade, mas o momento é de maior reflexão.
É que estamos nos deparando com aumento significativo das decisões baseadas em big data e algoritmos, o que faz com que muitos processos sejam automatizados, inclusive decisões sobre as nossas vidas. Como exemplo, podemos citar um caso julgado pela Suprema Corte de Winconsin em julho de 2016, quando Eric Loomis pretendeu a reforma de sentença de primeiro grau em razão da mesma tê-lo considerado um possível reincidente criminal, o que foi feito com o uso de um software, o COMPASS. Naquela ocasião Loomis alegou que não teve acesso às fórmulas matemáticas do software e que, por isso, não poderia se defender adequadamente. A fabricante do software, a Northpointe, Inc. mantêm sob forte sigilo seus algoritmos que processam o sistema de pontuação.
Este episódio ilustra o cenário de que o uso de inteligência artificial pode ser mais eficiente e menos custoso que outras ferramentas, além de ser mais preciso que o ser humano. Não surpreende, portanto, que cada vez mais se fale em decisões algorítmicas.
O grande problema é que os algoritmos são processos complexos e obscuros, já que constantemente significam um segredo de negócios. E, por serem obscuros no sentido de não serem auditáveis (não porque seja tecnicamente impossível, mas, como dissemos, por ser economicamente um dado sigiloso), podem ser tendenciosos e preconceituosos. Quanto a isso, lembramos o episódio da Microsoft que, em março de 2016 apresentou ao mundo a conta no Twitter @TayandYou, que era de sua "chatbot" (programas computacionais que simulam um humano na conversação com outras pessoas). Neste caso, o perfil ficou menos de um dia no ar, tendo sido desativado em razão das mensagens racistas, homofóbicas, misóginas que o perfil passou a fazer após interagir com humanos e absorver deles os entendimentos preconceituosos e lamentáveis expressados publicamente naquela rede social.
Isso nos obriga a refletir sobre consequências do uso da inteligência artificial e das suas repercussões. Afinal, caso as coisas não saiam bem como o imaginado, de quem será a responsabilidade? Para casos envolvendo humanos, constantemente nos valemos das nossas leis para tentar sanar as injustiças, oportunidade que buscamos tratamentos equitativos.
Os algoritmos que nos avaliam, deveriam, sob esta perspectiva, sujeitar-se aos critérios de avaliação justa que buscamos. Mas isso não é bem o que acontece, seja porque consideramos que eles são mais precisos do que realmente são, seja porque permitimos que sigam nos julgando obscuramente. É curioso como uma testemunha que não possa explicar seu pensamento acaba sendo alvo de desconfiança de um magistrado, mas, quando o assunto são algoritmos o sentimento parece ser um tanto diverso.
Algoritmos têm sido ferramentas que diminuem o ônus sobre as instituições, inexistindo paridade entre eles e decisões humanas. É fundamental questionar, assim, se é esse o objetivo que esperamos encontrar nas inovações. Devemos automatizar pela simples automação? Ou cabe aqui uma reflexão ética sobre injustiças algorítmicas? Vamos questioná-los e enfrentar decisões supostamente injustas, ou vamos manter a ideia de que são processos livres de falhas, ignorando injustiças e outros males?

Não é a primeira vez e nem será a última que vamos cobrar uma agenda para discutir algoritmos, apesar da realidade fática ter demonstrado que isso parece estar saindo do nosso alcance. Para o bem da humanidade, precisamos saber mais sobre os processos de decisões baseados em algoritmos. É um debate mais abrangente e profundo do que simplesmente entendê-los como um segredo de negócios. A questão é: conseguiremos?\
Fonte:  Por Coriolano Aurélio de Almeida Camargo Santos e Marcelo Crespo
http://www.migalhas.com.br/DireitoDigital/105,MI268283,81042-Inteligencia+artificial+algoritmos+e+decisoes+injustas+e+hora+de

domingo, 5 de novembro de 2017

Chefe de Compliance da Odebrecht diz que Brasil não chega nem perto dos países mais corruptos



Há pouco mais de um ano e meio no Brasil com a missão de eliminar a corrupção dentro da construtora Odebrecht, o advogado norte-americano Michael Munro, diretor de Compliance da empresa, tem uma visão otimista sobre o combate a desvios éticos no mundo dos negócios no país.


Diferentemente do que pensam muitos brasileiros em meio à chamada crise moral por que atravessa o país, Munro diz que o Brasil “não chega nem perto” dos países mais corruptos do mundo, vê avanços que remontam há mais de uma década e acha que Operação Lava Jato já mudou não só o ambiente empresarial, mas também a conduta individual do cidadão comum.


“Me chateia quando as pessoas criticam seus países na América Latina. Não é verdade, porque há muitos outros países onde a situação é muito mais difícil”, diz Munro, apontando como diferencial a abertura com a qual o tema é abordado na esfera pública e os investimentos do setor público e privado no combate à corrupção.


Em entrevista ao G1, o executivo também frisou que a redução da corrupção na relação entre governo e empresas não passa, necessariamente, por uma revolução moral no comportamento da população – até porque, para ele, a maioria das pessoas não é naturalmente inclinada a pedir ou pagar propinas.


Em vez disso, Munro defende aplicação das ferramentas de “compliance”, nome dado a políticas anticorrupção nas empresas. Envolvem principalmente treinamento e conscientização de líderes e equipes com foco na prevenção, transparência e controle sobre procedimentos para detectar desvios, além de duras punições internas.


Leia abaixo os principais trechos da entrevista, na qual ele também falou sobre as dificuldades que enfrentou na Odebrecht, que fechou a maior delação da Lava Jato, com 78 executivos de cúpula confessando seus crimes.


G1 - Existe uma cultura da corrupção no Brasil ou a corrupção é universal?


Michael Munro - A corrupção de diferentes países tem sido estudada de forma muito detida nos últimos 20 anos. E se consultarmos o site da organização Transparência Internacional, que tem um índice de corrupção muito acurado, veremos que o Brasil está numa posição intermediária. 


Atualmente, o Brasil está na 79ª posição, junto com China e Índia, numa lista de 176 países, ordenados dos menos para os mais corruptos (consulte aqui).


A cada ano os países mudam de posição, e o Brasil é um entre vários que melhorou. Mas entendo que é difícil para quem vive no Brasil e passou os últimos dois anos impressionado com a Lava Jato enxergar isso: o Brasil não é o país mais corrupto do mundo e não chega nem perto. Há muitos outros muito mais corruptos em toda sua cultura.


E desde a Lava Jato, eu vejo o Brasil como um exemplo, um modelo, quando falo em conferências internacionais. 


Mesmo antes disso, o Brasil fez um ótimo trabalho, há 10 anos, por exemplo, na passagem de mercadorias na alfândega dos portos. Antes disso, você não conseguia nada sem pagar propina a alguém. E o Brasil fez um trabalho fantástico em limpar isso, o que não é o caso em muitos países, onde há desafios significativos na área aduaneira.


Eu vejo o atual momento como uma evolução do Brasil e de toda a América Latina na direção que Estados Unidos e Europa Ocidental se moveram 30 anos atrás. É uma continuação. Me chateia quando as pessoas criticam seus países na América Latina. Não é verdade, porque há muitos outros países onde a situação é muito mais difícil.


G1 - E quanto ao impacto da Lava Jato? O sr. já nota diferenças?


Munro - Quando países democráticos passam pelo que o Brasil está passando, há um enorme impacto positivo na cultura. 


E estou me referindo especificamente à Lava Jato. Tenho visitado o Brasil há muito tempo, sendo bastante familiarizado. Há 15, 20 anos atrás, você pegava um táxi e quando chegava ao destino, o motorista lhe entregava um recibo em branco, para que você preenchesse um valor mais alto e pudesse obter um ressarcimento de sua empresa maior do que efetivamente pagou pelo serviço.


Hoje, eu não tenho carro em São Paulo, onde vivo há 15 meses, e nunca vi nenhum taxista me entregar uma nota em branco e que não estivesse assinada com o valor exato da corrida. Não posso dizer com precisão um dia em que isso mudou, mas desde a Lava Jato, eu tenho notado uma mudança geral na visão das pessoas. É um pequeno exemplo.


G1 - Então o sr. considera que a Lava Jato, nos últimos três anos, de fato contribuiu para mudar a prática cotidiana das pessoas?


Munro - Eu acredito que sim. Agora, tenho que ser cuidadoso com essa aposta, porque pessoas diferentes vivenciam situações diferentes, dependendo de seus vizinhos ou sua cidade. Não quero falar por todos os brasileiros, estou falando apenas pela minha experiência limitada. Mas sem dúvida, para mim, algo mudou.


As pessoas não falavam, não conversavam tanto sobre a corrupção antes da Lava Jato. Nos países mais corruptos, especialmente os 50 mais corruptos, eu lhe garanto que você não encontrará a imprensa falando sobre a corrupção, como se vê aqui e na América Latina. A corrupção sempre se opera no segredo e no escuro. Quando há transparência, quando há questionamento, é evidente que a corrupção se reduz. E claro, no Brasil e outras nações latino-americanas, tudo isso está vindo à tona.


As pessoas estão indignadas, há raiva, emoções típicas quando as pessoas descobrem algo ruim. Uso uma analogia: alguém poderia desconfiar que a esposa estivesse lhe traindo por meses e poderia até saber, mas quando ela é pega em flagrante, a coisa muda. Acho que no Brasil aconteceu algo parecido. 


A cultura já mudou de forma significativa desde a Lava Jato. E o fato de o Brasil ser uma democracia contribui muito.


Finalmente, eu acredito que a população brasileira é muito otimista, positiva e entusiasmada. E se as pessoas continuarem a ver os benefícios e o valor de eliminar a corrupção, a cultura vai se mover muito mais rapidamente que outras culturas, onde não há essa mesma paixão, onde as pessoas são muito mais introvertidas.


G1 - Quais fatores facilitariam a eliminação da corrupção?


Munro - Um dos mais importantes fatores para eliminar é esse tipo de discussão, na qual indivíduos e a imprensa têm liberdade para falar do assunto. Onde pessoas estão dispostas a se levantar e fazer declarações para tornar esses problemas públicos. Isso é muito positivo e é o que realmente faz a diferença, em relação a muitos outros países onde não há essa liberdade.


Eu estive em muitas entrevistas à imprensa desafiadoras em diferentes partes da América Latina e foram muito boas, com as pessoas fazendo as perguntas certas e difíceis, como devem. 


Então isso é o lado positivo que torna mais fácil combater a corrupção: liberdade de imprensa e veículos dispostos a investigar e falar sobre o assunto.


O segundo fator que facilita é o nível econômico do país. Países com extrema pobreza são mais difíceis no combate à corrupção, porque é algo que custa tempo, dinheiro, esforços e organização. 


Envolve capacidade financeira de colocar operações em sistemas transparentes, com análises eletrônicas dos dados.

Isso funciona melhor em países mais estáveis economicamente, que não sofrem com a pobreza extrema. Nós todos nos preocupamos com pessoas que não têm o suficiente para comer. Mas quando isso se torna o foco de 80% ou 90% de um país, não há tempo nem dinheiro para companhias e governos erguerem os controles e a estrutura de combate à corrupção.


G1 - Na Odebrecht, quais as dificuldades que o sr. tem enfrentado? Nas delações, executivos de cúpula disseram que estavam acostumados há 30 ou 40 anos a pagar propina, como uma regra do jogo. Como mudar essa mentalidade?


Munro - Em muitos sentidos, devido ao processo pelo qual passou a Odebrecht, não foi tão difícil assim. Isso é irônico porque o que fizemos foi tão ruim que tivemos que mudar os líderes. Sem a participação deles não haveria toda aquela estrutura de contabilidade bem estabelecida para pagamento de propinas.


Além disso, a delação foi um processo muito dramático, porque envolveu os membros da família Odebrecht. Claramente isso chamou a atenção de todos na empresa muito rapidamente. A partir desse momento, a transição ficou mais óbvia e clara para todos. 


Quando me candidatei a essa posição, não teria aceito se não tivesse certeza absoluta que a nova diretoria estava 100% convencida disso e que não tinha nenhuma participação em atos de corrupção.


Por outro lado, sei que a Odebrecht conseguiu a maior parte de seus contratos porque é uma ótima empresa de engenharia. Se se não fosse excelente, se seus projetos começassem a falhar, não teria crescido tanto assim.


O desafio tem sido fazer as pessoas acreditarem nisso, internamente e depois externamente. Naturalmente ainda há dúvidas sobre a possibilidade de a empresa continuar no negócio da construção. Mas a Odebrecht é uma empresa gigante e tem muitos contratos sem nenhuma corrupção.


Por isso, nós temos trabalhado muito em convencer as pessoas de que nós podemos ser bem-sucedidos sem corrupção. O percentual de contratos que foram obtidos sem suborno mostra que podemos trabalhar sem essas práticas. E uma grande parte do trabalho que eu tenho feito é demonstrar exemplos de empresas que há 20 anos também pagavam propina para obter contratos, não achavam que poderiam sobreviver no mercado sem práticas corruptas e agora fazem negócios regularmente.


G1 – Mas e fora da Odebrecht, no governo e nas estatais, as coisas mudaram? Mesmo após a delação da Odebrecht, se descobriu que políticos continuaram buscando outras grandes empresas para obter dinheiro, como a JBS.


Munro - Eu acredito que já houve uma mudança significativa nos últimos dois anos. A Petrobras, por exemplo, que é a maior empregadora do Brasil, mudou completamente. E agora temos dificuldade de pagar um café ou um almoço para um diretor. Foi de um extremo a outro. Esse é um exemplo perfeito de como as coisas mudaram. E eu tenho essa convicção absoluta de que a Petrobras não está pagando propinas ou recebendo propinas.


A Petrobras está assinando mais contratos e participando de mais licitações que qualquer outra empresa no Brasil. Como a Petrobras é uma empresa estatal, isso é um ótimo exemplo do que pode ser feito rapidamente para mudar práticas e uma cultura. O que eles fizeram foi exatamente o que a Odebrecht fez. Eles introduziram na cultura um sistema de conformidade, de compliance.


Criaram o cargo de presidente de conformidade, treinaram e educaram os funcionários, fizeram auditorias e introduziram esses sistemas que devem fazer parte de todas as empresas privadas e públicas. Isso está acontecendo também em outras empresas estatais e no BNDES e pode ser feito nas agências reguladoras, nos governos estaduais e municipais, com processos licitatórios mais transparentes, o que seria muito útil no combate à corrupção.


Pessoalmente, eu acredito que a maior parte das pessoas são boas. 


A maioria não quer pedir propina ou pagar propina, seja do governo ou do setor privado. Por isso, o sistema de compliance seria bom para qualquer governo ou empresa.


Fonte: Por Renan Ramalho, G1, Brasília

https://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/chefe-de-compliance-da-odebrecht-diz-que-brasil-nao-chega-nem-perto-dos-paises-mais-corruptos.ghtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=share-bar-smart&utm_campaign=share-bar

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Novembro azul lembra importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata

O câncer de próstata é o foco de mais uma edição da campanha Novembro Azul, organizada pela Sociedade Brasileira de Urologia. O câncer de próstata, tipo mais comum entre os homens, é a causa de morte de 28,6% da população masculina que desenvolve neoplasias malignas. Somente entre 2016 e 2017, 61,2 mil novos casos foram estimados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Com o intuito de estimular a população masculina a superar a vergonha em relação ao assunto e cuidar da saúde, a campanha realiza diversas ações ao longo do mês. Em São Paulo, a programação, que começa na segunda-feira (5) e vai até dia 23, inclui mutirões para esclarecer dúvidas, uma caminhada e palestras. Em Brasília, será realizado na Câmara dos Deputados o X Fórum de Saúde do Homem, no dia 21. Por ocasião da campanha, como em anos anteriores, o Congresso Nacional e o Cristo Redentor serão iluminados de azul.

Os aspectos culturais, como o machismo, têm impacto no diagnóstico e controle da doença, muitas vezes associada com a perda da virilidade. Como consequência, há o isolamento e a baixa autoestima do paciente que, não raro, tem dificuldade para buscar ajuda e médica e durante o tratamento precisa se afastar das atividades laborais.

“A gente não consegue conversar porque as pessoas mudam de assunto rapidinho. De cara, a pessoa quer saber da vida sexual, não quer saber se você passa mal, se desmaia. Você fica meio invisível. Meu irmão mesmo disse: ‘Você é um câncer mais ou menos’, porque imagina-se que você tem que fazer aquela cara de dor, ou então, não considera que você tem câncer”, desabafa o assistente administrativo Liomardes Lino, que já passou por uma cirurgia para tratar a doença teve uma recidiva no ano passado, que o levou à radioterapia.

De acordo com dados do Inca, a cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata, nove têm mais de 55 anos. Considerado novo para desenvolver a doença, Lino foi diagnosticado com o câncer de próstata aos 48 anos, em 2014. Foi por insistência de sua esposa que fez o exame chamado Antígeno Prostático Específico (PSD), que acusava um alto grau de anormalidade dos níveis esperados da proteína produzida pela próstata.

Exames de toque

Para o urologista Mário Fernandes Chammas Jr, a cultura machista da América Latina é um fator que atrapalha a detecção e, portanto, o tratamento da doença. Ele assegura que o exame de toque retal é simples e rápido, com duração de 5 a 10 segundos, e defende as consultas regulares ao médico. “Muitas vezes, o paciente acaba falando: ‘Era só isso?’. E perde o medo inicial.”

Além do tabu em relação ao exame, outro aspecto relevante é o fato de que a maioria de casos é assintomática. “É diferente de outros tipos de câncer, em que aparece algo no seu corpo, algo que provoca medo e te faz ir ao médico. Em larga maioria, só há sintoma quando já está muito avançado. Cabe ao médico procurar antes que chegue a esse ponto”, afirma.

Rede de apoio

Liomardes Lino participa atualmente de um grupo de homens que passaram ou passam pelo tratamento e trocam experiências por meio do aplicativo Whatsapp. Desse encontro, surgiu também a página Eu tive câncer de próstata, no Facebook, criada pelo representante de medicamentos Fernando César de Toledo Maia. Também diagnosticado com câncer de próstata, ele conta que se sentia isolado e lamentava não encontrar um canal de troca de experiências. "Senti necessidade de fazer porque não tive onde me apoiar, eu não conhecia histórias. A única história que ouvia era: 'você vai ficar impotente, incontinente’”, conta Maia.

Na opinião dele, o governo deveria realizar campanhas de impacto, como as que conseguiram reduzir o número de fumantes no país, para chamar atenção para a importância e a gravidade do tema. “A campanha deve comunicar a possibilidade de metástase [quando o câncer se espalha por outros órgãos]”, opina.

Ele relata que, mesmo no grupo, a preocupação principal dos integrantes é quanto aos possíveis efeitos colaterais do tratamento e que nenhum deles faz acompanhamento psicológico, embora muitos estejam enfrentando problemas com a família e depressão. “Eles não acreditam que a psicoterapia traria um retorno a esses problemas [sexuais]. Conheço um médico que havia casado com uma pessoa mais nova e que não quis se tratar porque achou que ia perder a virilidade”, diz.

Mário Fernandes Chammas Jr. esclarece que não é o câncer que leva a uma possível impotência sexual, mas sim o tratamento. “Nos tratamentos mais comuns no Brasil, a radioterapia e a cirurgia, quando você ataca a próstata, machuca os tecidos em volta dela, incluindo o nervo responsável pela ereção.”

Ele acrescenta que boa parte dos pacientes recupera a função, havendo a opção de aplicar medicamentos diretamente no pênis e, em último caso, utilizar uma prótese peniana. Em todos os casos, o urologista é o profissional médico qualificado para prescrever o método mais indicado.

Sintomas e prevenção

O médico explica também que o tipo mais comum de câncer de próstata é o adenocarcinoma. Na fase inicial da doença, são comumente identificados sangue na urina, dificuldade em urinar, diminuição do jato de urina e aumento da frequência ao banheiro.

Para investigar o câncer de próstata são feitos dois exames: o de toque retal, que avalia o tamanho, a forma e a textura da próstata, e o Antígeno Prostático Específico (PSD). Para confirmar uma suspeita sinalizada pelos dois testes, é feita uma biópsia, que consiste em analisar pequenos pedaços da glândula. A função da próstata é a produção de um líquido que compõe parte do sêmen, que nutre e protege os espermatozóides.

Homens cujo pai ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos têm maior chance de também desenvolvê-lo. Outros fatores de risco são sobrepeso e tabagismo. Praticar atividades físicas e manter uma alimentação saudável são formas de prevenir a doença.

Quando se manifesta da forma menos agressiva dos três níveis existentes, o paciente deve frequentar o médico a cada três meses e seguir uma rotina de exames laboratoriais, protocolo estabelecido por especialistas há cerca de dez anos.

Direitos do paciente com câncer

Os pacientes com câncer têm direito a receber auxílio-doença – se for afastado do trabalho por mais de 15 dias – e o saque do Programa de Integração Social e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep). Quem é atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pode solicitar ainda o benefício chamado Tratamento Fora de Domicílio (TFD), valor que cobre despesas como transporte aéreo, terrestre e fluvial, diárias para alimentação e pernoite. No caso do TFD, a liberação depende da disponibilidade orçamentária do município ou estado. Alguns estados, como o Rio de Janeiro, asseguram ainda a gratuidade de ônibus intermunicipais, trem, metrô e barca. A lista dos completa dos direitos do paciente está disponível no site do Inca.

Fonte: http://m.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2017/11/01/novembro-azul-lembra-importancia-do-diagnostico-precoce-do-cancer-de-prostata/